quinta-feira, 7 de novembro de 2013

12ª Parada do Orgulho LGBT- 2013


12ª Parada do Orgulho LGBT- 2013
A força da mobilização superou a surpresa do novo local

            O começo foi no mesmo horário – 14 horas. A energia foi a mesma, a alegria também se repetiu e a mudança do local do evento, por força da realização do ENEM, não diminuiu o brilhantismo da parada, que já é tradicionalmente um dos maiores eventos culturais e políticos de Uberlândia.
            O uso do espaço do Teatro Municipal, bem como a caminhada até a Prefeitura também agregaram valores à mobilização. Uma das evidências dessa análise pode ser verificada na quantidade e no conteúdo mais politizado das intervenções das lideranças do movimento LGBT local e de outros estados, que reivindicaram políticas concretas de combate à violência e discriminação contra lésbicas, gays, travestis e transexuais em todo o trajeto e na frente da Câmara Municipal e da Prefeitura, além de diversas autoridades do município, como o Secretário Municipal de Cultura, Gilberto Neves e diversos vereadores, com destaque para o vereador Sebastião Galego, autor da lei que instituiu o Dia Municipal de Conscientização Contra a Homofobia, que tiveram lugar de honra no 1º Trio Elétrico da Parada.
            “É verdade que a mudança do local, talvez por ter ocorrido de última hora, resultou na redução da quantidade de participantes, que caiu de 60, 70 mil para 35 mil pessoas, e o outro problema, bem mais importante e a ser considerado em 2014, foi o calor do sol do início da tarde, gerando muitas ocorrências de mal estar, embora sem registro de maior gravidade”, declarou o presidente da Associação Homossexual de Ajuda Mútua – Shama, e coordenador do Núcleo de Diversidade Sexual da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho, Marcos André Martins.
Para ele, é oportuna a discussão de adição de uma cobertura desmontável naquele local como condição de continuidade de escolha para a realização da parada do ano que vem. “Mas o importante é discutirmos livremente todas as alternativas, inclusive a de se voltar ao tradicional espaço da Praça Clarimundo Carneiro até o Terminal Central ou da Praça Sérgio Pacheco até a Prefeitura, atentos aos diversos calendários de eventos da cidade no mês de setembro ou outubro”, considerou, enumerando a entrega do Troféu Cacá Martins e a realização de uma Audiência Pública na semana que antecedeu a Parada como dois outros importantes momentos vividos pela comunidade LGBT em outubro.

Agora, a comunidade LGBT vai agitar a Câmara Municipal”

            A diretoria da Shama, nas pessoas do presidente Marcos André Martins e da vice-presidente Tânia Martins, anunciaram os próximos passos do movimento LGBT pós-parada: “Apresentamos a proposta de uma lei durante a Audiência Pública que discutiu Formas de Combate à Homofobia e às doenças sexualmente transmissíveis, agora estamos nos reunindo com todas as lideranças do movimento de Uberlândia e, em um segundo momento, estaremos fazendo o mesmo com as lideranças do movimento LGBT na região, para unificar uma proposta de projeto de lei que penalize atos homofóbicos e, ao mesmo tempo, crie uma estrutura autônoma e democrática de atendimento às vítimas, uma nova instituição que estamos chamando de Centro de Referência da Diversidade Sexual, mas, mais importante que um nome, é entender que esta instituição terá como objetivo executar as políticas definidas pelo movimento LGBT, representado pelas ONGs e outras entidades e órgãos. Aliás, são as entidades e instituições já constituídas que atuam na nossa comunidade que serão, por meio de eleição, responsáveis pela gestão deste Centro. É importante saber que ele não terá direção indicada pelo Poder Público Municipal e que, além de garantir sua sustentação com recursos oriundos da cobrança de multas por atos homofóbicos, também poderá receber doações e subvenções de todas as fontes legais da sociedade, do Brasil e do exterior”, esclareceu Tânia Martins, destacando que ainda este mês a proposta de projeto de lei será fechada e apresentada aos vereadores, na perspectiva de que um ou mais de um vereador assinem embaixo do mesmo e o encaminhe para o debate. “É então que estaremos transferindo o entusiasmo da parada para o plenário da Câmara Municipal pra fazer valer a nossa vontade e as nossas necessidades”, afirmou Tânia Martins, lembrando que a proposta de projeto de lei em discussão é resultado de três tentativas de se editá-la nos últimos 10 anos. 

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